Sou divino por dentro e por fora, e santifico tudo o que toco ou me toca,
O odor destas axilas é mais belo que uma oração,
Esta cabeça mais do que os templos, as bíblias e todos os credos.

Walt Whitman

Desapegar

Desapegar. Desapegar. Turn over the page.
Não sei o que sonhei hoje, mas acordei levemente várias vezes durante a noite a sentir um arrepio e dormência por todo o corpo, como se fosse um medo paralisante.
Espero que não seja nada de mais. No entanto estou um pouco alterada e inquieta. E sinto-me parada de acção.
Estes meses de 2016 não têm sido fáceis. Os acontecimentos sucedem-se e enrolam-se num novelo... Ou desatam-se.
Sinto que precisava de estar sozinha, isolada, longe de tudo, numa praia ou junto a um rio, com livros, um caderno, verão e algumas pessoas desconhecidas. De preferência num local onde a língua materna fosse outra. Por tempo indefinido. Sozinha e confortável.

As cigarras que teimam em louvar o Verão

O corredor submerso de risos e correrias. O cheiro da infância e as cigarras que no meio da cidade teimam em louvar o Verão. Respiro fundo. Inalo todos os dias de calor, todas as brincadeiras, a preguiça das longas tardes... Pergunto-me pelo tempo, sem me demorar muito por alguma resposta. Sigo num rápido olhar mais de meio século de vida catalogado.
Para onde vai tudo? Inalo todos os dias de calor... Respiro fundo e deixo-me embalar pelas cigarras.
Tudo permanece e tudo muda. Concluo.
Inalo todas as brincadeiras, sorrio, levemente. Fico e vou.

Com as tuas raízes me pinto
Óh tu, que de terra e sol te fazes
Cobre o meu corpo com as tuas cores
Dança-me em rodopios. 
Eu sou Tu