Sou divino por dentro e por fora, e santifico tudo o que toco ou me toca,
O odor destas axilas é mais belo que uma oração,
Esta cabeça mais do que os templos, as bíblias e todos os credos.

Walt Whitman

Bela Princesa...


Tu, minha rainha,
ó senhora minha,
já não quererás
pensar em mim quando
o leão e o lobo
venham devorar-me
no cárcere fundo
cá onde me encontro,
nem quando saibas
que estou condenado
a não ver mais mundo,
ó senhora minha,
tu, minha rainha?

Poemas Ameríndios - Canções Quíchuas
Fotografia tirada por Mª Margarida Capitão

Quatro observadores

video

(...)
No meio deles, em baixo
tranquilo
dividido como um império
comum como compadres
maciço como uma mó
disperso como flocos
entrincheirado como uma fortaleza
aberto como as arenas
entre os observadores jaz o objecto.
(...)
Doze Nós numa Corda (poemas mudados para português por Herberto Helder)


Filmagem de Margarida
Jack Kerouac

canto do veado de cauda negra

Do cimo das casas da magia,
do cimo das casas da magia,
sopram os ventos.
Nos meus cornos e nas minhas orelhas, juntos, sopram mais fortes ainda,
sopram os ventos.

Além eu corria tremendo,
além eu corria tremendo:
arcos e flechas me perseguiam.
No meu rastro as flechas caíam, no rastro os arcos caíam,
ficavam caídos.


Poemas Ameríndios - Pimas

Fotografia tirada por Mª Margarida Capitão

canção - Yaquis

Quando chega a noite fresca,
levantas voo da árvore branca,
pássaro negro.

Poemas Ameríndios

Mural de Luís Macieira
Fotografia tirada por Mª Margarida Capitão 

canção do sono

Enquanto os meus olhos percorrem a pradaria,
sinto o verão na primavera.

Poemas Ameríndios - Chippewas

Fotografia tirada por Mª Margarida Capitão

Príncipe da noite




Príncipe da noite, do duplo, da glande estelada,
pátria da Morte,
da inútil coluna,
da pergunta suprema.

Príncipe da coroa em pedaços,
do reino dividido, da mão de madeira.
Príncipe petrificado vestido de pantera.
Príncipe perdido.
Doze nós numa corda - poemas mudados para português por Herberto Helder
Fotografia de Mª Margarida Capitão

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Paisagens


Paisagens aprazíveis, paisagens desoladas.
Paisagens da estrada da vida mais que da superfície da  Terra.
Paisagens do tempo que lentamente flui, quase imóvel, que flui para trás.
Paisagens dos pedaços de carne, dos nervos lacerados, das saudades.
Paisagens para cobrir as chagas, o aço, o estilhaço, o mal, a época, a mobilização, a corda ao pescoço.
Paisagens para abolir os gritos.
Paisagens como se tapa a cabeça com um lençol.

Henri Michaux (poema mudado para português por Herberto 
Helder)

Fotografia tirada por Mª Margarida Capitão